Por que amei!? #4
Um jeitinho Ciborga de te contar por que escolhemos uma curadoria e quais as reflexões a partir dela - edição exclusiva para os apoiadores.
Hoje trago para vocês uma pequena apologia ao auto-conhecimento. Contudo, sinto como se esse momento fosse coletivo. Eu não amei necessariamente o filme que assisti ou o livro que li sobre esse assunto, mas tem sido uma caminhada de descobertas e eu resolvi trazer essa peça compartilhada com vocês. O filme Uma mulher diferente1, que foi lançado semanas atrás no Netflix, foi mais um lampejo fulgaz entre tantas outras hypes das redes sociais, comentadas por praticamentes todos os perfis dedicados a descrição do autismo. Como não sou entendida de cinema não posso dizer se o filme é bem dirigido, se tem ótima fotografia ou se os atores são dignos de prêmios, mas eu posso dizer que o roteiro me parece muito familiar. Eu acredito que o roteiro pareça familiar à muitas mulheres que andavam por aí disfarçando, tropeçando, dormindo além da conta e recebendo nomes de louca, preguiçosa ou exagerada o tempo todo. Recomendo que se você é meio esquisita, assista. Mas não do tipo “Ah, todo mundo é meio esquisito”, falo esquisita mesmo. Você aí, sabe bem do que eu estou falando. Esquisita do tipo “desastrada”, do tipo “grossa”, do tipo “soberba”, do tipo “complicada”, do tipo “desarrumada”, do tipo “inapropriada” ou do tipo que-fala-palavras-difíceis-para-humilhar-os-outros. Se você já sorriu quando deveria ficar séria, ou não entendeu a piada, ou foi “egoísta” quando deveria ser empática ou se já dormiu 18 horas depois de passar o dia falando com pessoas. Eu não amei esse filme, porque assistir seus problemas finalmente nomeados e catalogados em uma tela de filme dói um pouco. Mas eu amei esse filme porque nomear e catalogar suas características é o primeiro passo para aceitá-las.


